terça-feira, dezembro 27, 2016

A Moça e os Idosos do Trem

14.10.16 

Estava no trem tentando ler pela quarta vez um mesmo parágrafo do livro O Sonho de Eva. Os comerciantes e os avisos do maquinista provocavam grande desconforto á minha leitura, já que, sou muito dispersa e com barulho se torna mais difícil mergulhar na história. Desejei mil vezes ter em mãos meus fones de ouvido, que só não trouxe porque minha mãe havia me pedido. 

Como em todos os lugares, lá estavam também os idosos, idosos de nosso mundo, antigas crianças, aqueles que educaram uma sociedade que hoje já é adulta. A maioria deles eram falantes, sorridentes e alegres. Três bancos à minha esquerda estava um senhor muito falante que contava histórias para um homem mais novo, histórias das quais não prestei muito a atenção pois ainda tentava ler meu livro. 

A minha frente havia uma linda mulher de pele clara com olhos que mais pareciam ter sido pintados com a cor dos rios cristalinos de Fernando de Noronha. Ela vestia uma calça jeans estilo boca de sino, e um sapato meia pata aveludado em marrom que junto com a calça, realçava as lindas pernas que compunham seu corpo. Soltava alguns "palavrões" ao telefone enquanto ajeitava suas franjas. Seu cabelo lembrava o da Clarice Falcão.  

Conforme o barulho no trem aumentava, a moça tapava os ouvidos tentando ouvir as palavras da outra linha.  

Logo sai do transe pois, minha mãe que estava sentada próximo a garota estava me chamando para que sentasse ao lado dela. Lugar esse que estava sendo desocupado por uma outra mulher.