quarta-feira, janeiro 04, 2017

5-5-16


Hoje seu pai trouxe-me em casa pela segunda vez. Não sei se pra vocês isso é algo normal, mas não estava acostumada com isso, acho que desenvolvi uma independência de me deslocar pelos lugares. Acho super legal essa atitude.  
Chegando no estacionamento do seu avô, logo vi o Bruno vestindo um uniforme do Corinthians. Apertei as bochechas dele com delicadeza, não queria machuca-lo. Quando criança, odiava que apertassem minhas bochechas, e acredito que ele também não goste, mas tento demonstrar o quanto gosto dele fazendo isso, preciso mudar de estratégia. Tudo ocorreu meio rápido, o cumprimento ao seu avô, ao seu pai. Acredito que fiz tudo no automático, não tive muito tempo pra pensar.  
No carro, vi você conferindo seu uniforme também do Corinthians. Estava escuro e não enxerguei muito bem, mas acho que o calção era azul e a camiseta roxa. Seu pai havia comprado uma chuteira nova só pra você jogar. Você ia colocando suas coisas em cima da minha mochila que estava no meu colo, e eu ia tentando organizar tudo, no final desisti.  
Seu pai colocava músicas que eu gostava pra tocar, e eu mexia a boca em alguns trechos fingindo cantar. Às vezes você cantava no meu ouvido, eu olhava rindo pra você, e virava de volta quando nossas bocas ficavam próximas. 
Queria te abraçar muito forte, e te beijar disfarçadamente pra demonstrar o quanto me sentia bem naquele momento. Não o fiz porque seu pai e seu irmão estavam na frente, assim como evito fazer isso quando estamos perto dos nossos amigos.  
Não sei se consigo demonstrar as coisas que sinto pra você. Nem ao menos dizer. Mesmo escrevendo e tentando verbalizar sentimentos, sempre tenho a impressão de que nunca estou conseguindo me expressar como deveria. E eu não sei se você realmente reconhece a intensidade dos meus sentimentos e emoções. Não sei se alguém consegue isso.  

*Nomes figurativos