reflexão caótica

Há muito tempo não escrevia, e é claro, as palavras me sufocavam. 
Confesso que é difícil acostumar-se com a ideia de precisar estar sempre com papel e caneta para poder transpor um pensamento, principalmente para quem estava acostumada a fazer isso em um aparelho do tamanho da minha mão - que é pequena.
Não o escrevi para que fizesse sucesso, ou alcançasse o coração - ou sei lá o que deveria alcançar - de quem o lesse. 
Esse enorme texto, sem estrutura definida, nem tipo, padrão, ou até mesmo coerência, é mais uma representação do quão perdida fico em minha própria mente, e isso é frequente.
Não tive disposição o suficiente para reler, então, obviamente, não o corrigi. Espere encontrar muitos erros.
-
pensamentos sobre o que quero e o que sou, espalhados em confusos versos que deveriam formar uma música
-
tentei por meses escrever uma música que falasse de amor
aquele tipo bem clichê de como a menina se sente quando está com o menino
e nesta noite percebi que...
eu não sou o tipo de menina que escreve só sobre amor

uma capa cheia de
confiança, orgulho e sinceridade
recheada de
medo, insegurança e incerteza 

eu não sou uma flor
eu não sou felicidade
eu sou o espinho
eu sou a infelicidade

meu corpo nada numa piscina de incertezas
assim como as pulseiras que escapam-se pelos pulsos
meus sonhos se vão

assim como o corpo de um bebê que acabara de aprender a nadar
meu corpo não aguenta a pressão da água 

e bem quando eu estou me afogando...
ah
sempre aparece alguém que é como o ar puro
me resgatando para a vida

ás vezes eu queria apenas me afogar
e simplesmente morrer
é muito melhor do que quase morrer afogada toda hora
por pessoas diferentes

eu quero nadar para o mar aberto, porque a piscina é muito pequena pra mim
eu quero andar por lugares desconhecidos
e respirar novos ares
eu não aceito viver o simples, eu quero o extraordinário

mas, assim como Adão, no livro de Gênesis
não é bom que eu fique só
e nossa que maravilha, olha eu usando contexto bíblico
tudo para justificar minha carência

eu quero ser a pessoa que é procurada para dar conselhos
justamente, porque os segue
eu quero ser exemplo para os ansiosos
com a pura demonstração da calmaria

eu quero salvar vidas de todas as maneiras possíveis
se é que você me entende
tocar a alma das pessoas de uma maneira inexplicável
e tocar o céu com o espírito

eu quero ser mais do que a menina que estuda mais do que sai com os amigos
e que, dá mais importância a música do que ao teatro
eu quero ser mais do que a menina que fotografa
e que brinca de ser designer sem ter ao menos curso pra isso

eu quero ter uma família
e, assim como a maioria das pessoas,
encontrar alguém disposto a dividir sua vida comigo
eu quero ser a vida de alguém
porque essa pessoa será a minha vida

eu quero ser o porto seguro de alguém
porque ninguém é 100% feliz em todos os momentos da vida
e eu quero ser a pessoa que,
ouve todos os dramas e inseguranças que atordoam tal mente

não consigo ser perfeita, apesar de tentar
não consigo agir como quero,
e sou um desastre total,
assim como Charles Brown, eu faço tudo errado

como não sou besta, eu também preciso de um porto seguro
minha mente é um caos, entupido de insegurança
meu coração é remendado e,
apesar da aparência de "forte", eu sou tão frágil como o algodão
aquela "tempestade em copo d'água" me desmancha

um outro motivo que sempre me priva da benção de escrever uma música
é a falta e o exagero das palavras
a ideia de música acabou já faz muitos versos
acho que isso é óbvio no que escrevi aqui

eu não sou poeta,
compositora,
escritora,
e ainda assim tento ser artista

isso aqui era pra terminar falando sobre amor
e claramente, não sou o tipo de pessoa que segue roteiros

comecei falando que há meses tentava compor músicas sobre amor
e pela milésima tentativa, não consigo

eu queria escrever sobre como me sinto, e como sou
numa desesperada tentativa de mostrar pro mundo como sou
e acho que a melhor demonstração, é o formato caótico do meu texto
porque minha mente é caótica

sinceramente, já não sei se quero mesmo escrever sobre como me sinto
porque o amor me apavora
eu digo pra todo mundo lá fora que devem se jogar no amor
porque eu deveria, mas não consigo

meus relacionamentos foram cheios de medo e insegurança
como reflexo daquilo que sou com tudo que é "novo"
aprendi a ser desconfiada e a "amar com os pés no chão"
porque todos os meninos que já gostei, de certa forma, fizeram com que eu fosse assim

qual é a graça de amar, se você não pode voar?

eu quero voar com você
me perder com você
e fazer tudo com você

não é questão de ser realista ou não
porque se eu quisesse ser só realista
de início, não acreditaria que o amor existe

ás vezes eu sinto que vou desmoronar
e preciso que alguém esteja lá pra me sacudir e dizer que eu vou conseguir passar por isso

eu não quero que essa pessoa seja um amigo
minha mãe
irmã
ou primo

eu quero alguém que seja o meu amor
alguém que seja a minha vida

porque, na verdade, eu preciso ajudar as outras pessoas
e por isso não quero atrapalha-las com a minha solidão
porque eu tenho que ser a companhia delas
eu tenho que ser o porto seguro delas
mas preciso do meu

não sei o tipo de impacto que tive na vida dos meninos que gostei
mas eles realmente não tiveram bom impacto na minha vida
e você pode estar friamente pensando
"mas, Nathalia, por quê você achou que esses relacionamentos de criança poderiam ter dado certo?"
e eu pergunto, por quê não dariam? 
se não é para nós, "crianças", nos relacionarmos cedo, POR QUÊ NÓS AMAMOS?
e não me venha dizer que crianças não amar, porque elas amam sim
e, desde pequenas, aprendem a não confiar no amor

eu sou imperfeita, e dessa mesma forma aceito que o amor seja imperfeito
mas, as pessoas aprenderam a diferenciar amor em 3 categorias
paixão, "gostar" e o amor propriamente dito
qualé, É TUDO AMOR!

arranjaram essas diferenças pra poder saber escolher com quais pessoas brincar
quais pessoas magoar
porque, certamente, "a dor é menos dolorosa pra quem só gosta/ou é apaixonado"
não existe meio amor, então, se você sente algo, a dor é a mesma independente do que os outros definem
até porque, a única pessoa que pode realmente saber como você se sente, é você mesmo

eu não sei me entregar pela metade
ou amar mais ou menos
comigo é 8 ou 80
e mesmo inundada de medo, eu sigo em frente

toda vez que um menino se torna tão especial pra mim
a ponto de eu ama-lo
lhe peço que seja diferente dos outros meninos que já amei
mas eu não sei se ele se torna ou é diferente

eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo
e que em meu interior, há mais turbulência do que calmaria
mas eu só desejo alguém que seja forte para aguentar isso comigo
e que viva comigo, o resto de nossas vidas

isso é pedir muito para um menino de 17 anos?
eu já cheguei a pedir isso para um menino de 13
é nessa hora que você tem total certeza de porquê eu me frustro com os meninos
mas, afinal, se eles não podem cumprir, porque não dizem?
ou será que sou eu quem não deve acreditar?

seria mancada escrever sobre toda essa desilusão amorosa 
quando se está namorando?
porque eu estou fazendo isso
e não me sinto mal

conforme minha insegurança em tudo
até nas coisas que você me diz
termino esse enorme texto sem sentido falando sobre...
minha eterna dúvida, que só terei certeza quando realmente acontecer


Eu quero viver uma vida com você, mas será que você quer mesmo viver uma vida comigo?